ar, areia

A minha vida é tanto mais literária quanto menos vezes tento explicá-la. É curioso como, só abandonando a narrativa, se chega ao centro da história, quero dizer, da nossa própria história. Cada vez mais, interessa-me a companhia dos que vêem a sua história como algo que ainda está para ser (e não que foi, e que foi de certa maneira, e que é como é por ter sido como foi). Não há, no que está para ser, promessa nem expectativa, não há plano nem projecto. O centro pode ser isso: estar aqui, sem culpar o passado nem cair na tentação de confiar no futuro. É possível que a vida não seja um percurso e que a imagem do caminho já não nos sirva. Viver, ter uma história, uma relação com o tempo, também passa por aprender a habitar um espaço amplo, sem trilhos – uma extensa porção de areia.

 

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